segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

O avanço da tecnologia

Não sou uma pessoa muito adepta das novas tecnologias, ou seja, daquelas que compram sempre o último modelo de telemóveis, HiPods, Playstations etc. Quanto a mim, isso não passa de um consumismo desgarrado e de sabedoria dos publicitários em nos impingirem aquilo que até já temos. Contudo, dou o braço a torcer...

Ontem, fiquei comovida e alegre pelo facto de já haver telemóveis com imagem (isso tem um nome que eu desconheço). O que importa é que estava uma pessoa portadora de deficiência (surdo-mudo) a "falar" ao telemóvel com outra através de linguagem gestual. Ainda não tinha pensado nisso. Que bom que foi, sob este aspecto, o avanço da tecnologia móvel... ;) Lamentável é (segundo creio) ainda não serem acessíveis a todas essas pessoas devido ao seu elevado custo. Pode ser que alguém se lembre e se consciencialize dos problemas dos outros concidadãos e crie um meio de reduzir o preço para quem seja portador de deficiência...

Após uma pesquisa de telemóveis para cegos:

“Os invisuais têm dificuldade em usar os seus telemóveis mas ler SMS pode ser um desafio e quanto. A NOKIA desenvolveu uma aplicação que transforma SMS recebidos em Braille e depois usa vibrações para transmitir esses caracteres de novo em braille ao utilizador. Já há diversos modelos de telemóveis disponíveis no mercado que lêem em voz alta os SMS de forma automática e a CODE-Factory crio um software que permite a utilização dos sistemas operativos S60, Blackberry e Windows Mobile sem que seja necessário visualizar o equipamento. Mas, a solução do NOKIA LABS é também silenciosa, o que pode ser importante em algumas ocasiões. E também é grátis!”

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Patologias da Democracia

Os tempos revoltos que vivemos são propícios à reflexão sobre a democracia, enquanto génese do modelo de Estado que configura o modelo social.

A democracia (governo do povo) é (ou deveria ser) a resultante colectiva da opção individual maioritariamente expressa no voto, pressuposta a liberdade total do cidadão votante.

Se a liberdade do «cidadão votante» é contaminada/corrompida por infinitos estratagemas, a democracia padece «cancro terminal», sendo questão de tempo a sua defunção.

Quando se gastam somas astronómicas (quem pagará e porquê?) em propaganda, quando se fabricam os mais requintados embustes, quando são feitas desvairadas promessas (esquecidas após o acto eleitoral) para aliciar, manipular e comprar o voto, como «vestir de fé» a democracia?

Quando as eleições são mera rotina hiper manipulada, quando instalados no poder os dirigentes renegam, com completa impunidade, tudo o que haviam dito, quando dirigentes dizem: «prefiro fazer batota a perder» e ninguém os adverte de tal ofensa à mesma democracia, que «acto de fé» é possível? A tolerância a tais despropósitos é sintoma da cumplicidade com a «batota» dos dirigentes que, ouvindo/lendo, tal infâmia fazem que nada aconteceu, sorriem, porque lhes abrem o caminho à «democracia do rito» que se tolera, para gozo de néscios, mas , na prática, se despreza.

A Democracia sofre «patologias» graves; não correrá perigo de extinção? Até quando suporta «esta pobre paciente» esta agonia letal? Creio que ninguém sabe! Como aplicar terapêutica eficaz? E haverá tal terapêutica? «Haver, há», mas é complexa, mas exige, antes de tudo, consciência, conhecimento, ousadia, coragem e fortaleza; pensando bem, reduz-se a afastar estas elites caducas, estes «filhos do orçamento» e eleger «gente honrada»! tão simples! Por ser simples é que os «filhos do orçamento» torpedeiam os atributos da terapêutica, por ser possível é que as elites decompostas hipnotizam/manipulam com tão poderosa máquina de alienar.

Resistir, querer, ser convicto, são os mais úteis antídotos: à mentira; à infâmia; à intoxicação; à alienação; à manipulação.
Há cirurgia e fármacos para reanimar e fortalecer a democracia, transformando-a: democracia económica, social, cultural e humanista. «Aja duas vezes, antes de pensar»… vote, em gente honrada, destruindo: este pântano; esta indignidade; exigindo: transparência, justiça, verdade, igualdade e humanismo … Faça isso e verá o que ganha!...

Joaquim Manuel Cardoso

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Salvemos a Democracia

Teclando, invadem-me pensamentos, em torrente, sobre esta sociedade que reputo:

Desprovida de valores; contaminada de ignorância; desvairada pela aparência; manipulada por toda a espécie de loucuras; sonhadora com sei lá que paraísos (riquezas); aliciada pela corrupção, entre outros traços negativos.

Lastimo a tolerância à mentira, deploro a passividade perante o enriquecimento fácil, parecendo aplaudir os corruptos que «se amanham», como muitos «chicos espertos» dizem com demenciais prosápias.

Como é possível que tanta mentira, à custa de repetida, ganhe estatuto de verdade? E, de modo semelhante, como pode acontecer que verdades evidentes sejam negadas/rejeitadas?

A caracterização sumária (com certa subjectividade) da sociedade é analisada, com sofisticados métodos, pelos estudiosos, vendidos aos poderosos que, manipulando com astúcia estes padrões comportamentais, dependendo da conjuntura: ou fazem crescer a exploração, ou sustentam os logros, ou, com angelicais arengas apregoam a mal chamada «harmonia social», quando, apavorados, julgarem oportuno aplacar a justa cólera da multidão explorada, pobre, faminta.

Publicou a comunicação social a previsão de gastos previstos para as eleições autárquicas; já terá divulgado os gastos previstos para as eleições legislativas; não tomei conhecimento, mas a «desvergonha» a «hipocrisia» a «desonestidade» destas fabulosas somas deve repetir-se. Quando a pobreza, a miséria, a fome, a violência, (por estas causas) açoutam este «país triste» é vilipêndio, vexame, injustiça e suma iniquidade este esbanjar de recursos; quem paga (e porquê) estes inimagináveis desvarios?

Retomo, subitamente, a análise à democracia: há, verdadeiramente, democracia, perante a programada «compra do voto (da consciência colectiva)? Digo: estes procedimentos, embora tolerados pela lei (dos poderosos), não deveriam, no plano da ética, ser reputados «criminosos»?

No recanto solitário das suas consciências os milhares de pobres sentem, pensam, mas, neste panorama de pre-ditadura, calam... Este silêncio imposto será compaginável com a Declaração Universal dos Direitos do Homem? E mesmo com o censo comum? E com o temor de futuras represálias?

Escrevi: «pre-ditadura»: não, não foi engano! é o juízo racional, amargurado, que faço sobre esta democracia em decomposição, à beira de ser «cadáver», vítima da eutanásia dos que: a desprezam; a odeiam; a manipulam; enriquecem em seu nome; a condenam, paulatinamente, a putrefacção.

Mudar, desterrar do poder estas elites corruptas/caducas, é salvar/reanimar/reabilitar a democracia.

Joaquim Manuel Cardoso

domingo, 23 de Agosto de 2009

Inclusão a fingir, não

A recente resolução 72/2009/08/14 sobre a acessibilidade ao direito de voto das pessoas com deficiência é um exemplo notável de certa hipocrisia; após longos anos de reivindicação em numerosas oportunidades pela APD, surgiu, aprovada, 23 de Julho de 2009, uma resolução anódina:

Faz duas recomendações vagas que, nos próximos actos eleitorais, não acrescentarão nenhuma medida positiva.

A questão do voto das pessoas com deficiência é complexa; as medidas de discriminação positiva têm que adaptar-se às consequências que derivam das múltiplas deficiências: para as pessoas com deficiência visual, precisa-se um tipo de solução; para as pessoas com deficiência motora precisa-se outra; e, sucessivamente, para cada deficiência uma solução, sem esquecer as pessoas com ligeiras deficiências de desenvolvimento, que, experimentando certas dificuldades na linguagem, são capazes de exercer o direito ao voto; cabe, ainda, encontrar processo de tratar as pessoas com severas limitações psicológicas, evitando que: sejam manipuladas; excluindo-as, quando tal se justificar; cuidado! Que há inúmeros eleitores que, por infinitas razões, embora não aparentando deficiência, são compelidos, em inúmeras instituições, a votar, afastados da sua livre consciência, sob ameaça manifesta ou velada de represálias. Quanto às pessoas com deficiência é tempo de «acabando com perniciosas hipocrisias», instituir o «Cartão de pessoa com deficiência», registando as incapacidades, «revestindo-o de «fé» perante qualquer mesa de voto.

E, porque não terão incluído esses dados no famigerado «cartão do cidadão»? Com tanta propaganda, o dito cartãozinho é mais um símbolo da pobreza das medidas deste Governo, apregoadas no «simplex».

Excepto demagogia/propaganda, os últimos quatro anos foram «tempo parado» na construção da sociedade inclusiva.

Certamente que vão exaltar a existência da Secretaria de Estado para a Reabilitação! Alguém encontrou, junto das pessoas com deficiência, nesta conjuntura gravíssima a Senhora Secretária de Estado? Não, não esteve, nem se esperou; por isso mesmo essa bravata soará a ridículo.

Mais uma vez a APD foi pioneira na luta pela criação da secretaria de estado; mas assim, não; com esta prática «não faz falta»; não adulterem as nossas propostas:

Se quiserem ouvir-nos, aprenderão; mas é preferível a verdadeira hostilidade, que o hipócrita «faz de conta» que finge que ouve, mas, de verdade, discrimina, reduz direitos, enterra, às escuras, a inclusão. O «fingidor» é, neste passo, inútil; a verdade, a transparência, o respeito por «direitos» simbolizam a honorabilidade do Estado de Direito Democrático. O «fingimento», o «faz de conta», a demagogia, contaminam, junto das pessoas com deficiência, a credibilidade: primeiro de certos «personagilhos», depois, da mesma democracia. Com o estômago vazio, com toda a espécie de privações, quem é capaz de remover o desencanto?

Quando a miséria campeia, como crer na democracia?...

Joaquim Manuel Cardoso

domingo, 16 de Agosto de 2009

Futuro: a Mentira e a Verdade

As ciências do Homem contribuíram para instaurar o «humanismo», tendência para centrar no Homem o funcionamento da sociedade, da política à economia, aperfeiçoando-se, através da multidisciplinariedade o conhecimento da única problemática verdadeiramente complexa, a existência da humanidade.

Mas, no século anterior, entre as muitas subversões de valores, implantou-se a utilização das ciências do Homem para gerar os mais repugnantes mecanismos de opressão, repressão, exploração, alienação, de tal modo que as vítimas indefesas chegaram a erguer-se como «guardiões» dos verdugos.

Tremendos e criminosos instrumentos foram postos em movimento para hipnotizar/adormecer multidões, convertendo-as, depois, em obedientes forças perigosas, porque guiadas pela mais abjecta irracionalidade. Entre os imemsos mecanismos de criminosa alienação, salienta-se a pertinaz obstinação de apagar a memória, rescrevendo a História, fazendo esquecer comportamentos e práticas de todos os recortes, da mentira à alienação, da mais evidente corrupção ao mais nefando crime, e apresentando inúmeros personagens sinistros, quais «novos salvadores».

«Tão importante é o passado que nem Deus o pode apagar»; esta verdade aterroriza inúmeros «farsolas» deste «país pequeno», quando é tempo de prestar contas das retintas mentiras, dos indignos embustes, da mais atroz hipocrisia que usaram para favorecer sempre os mesmos: «os poderosos», enquanto esbulhavam, sempre os mesmos: «trabalhadores, pobres e todos os grupos desfavorecidos»; estes hipócritas desavergonhados, cedentos, sempre, de poder, arbitrariedade e benesses, sabem que o seu passado os condenaria, algumas vezes, à prisão, mas sempre ao justo castigo do afastamento, e da mais inclemente rejeição; e os luxos? E os faustos? E a vaidade/prosápia de ser «vedetas» na comunicação social que, qual cãozinho atrelado, arrastam?

Pois tudo isso esfumava-se. Como permanecer na mesma atitude indigna? Os «farsolas» sabem muito bem: discursos inflamados, fantásticas promessas, paraísos imaginários! Tudo, tudo, no futuro! O futuro é para este universo potrefacto de oportunistas a «mágica solução»: porque o futuro é o pretexto da ilusão, o espaço do embuste, a ocasião da mais calculada mentira, segundo, claro, este cortejo de mentirosos abomináveis.

Há outro futuro, mas esse «futuro novo» há-de ser construído por «gente honrada;» porque com esta orda de gentalha desavergonhada, só mentira, corrupção, crime. Mudemos de «obreiros do futuro» se quisermos, com confiança, imaginar/sonhar um futuro pacífico, inclusivo – pessoas com deficiência e outros grupos desfavorecidos – justo, fraterno, isento da exploração do Homem pelo Homem, em síntese «humanista»... hoje é o tempo de abrir a «porta larga» dos mais luminosos sonhos, hoje é tempo de valorizar a honra, de saber, sem falsos preconceitos, que a mudança depende: de «gente honrada» no poder.

Joaquim Manuel Cardoso

terça-feira, 14 de Julho de 2009

Retórica e Crise

A publicação da Encíclica [Caritas in Veritate (Caridade na Verdade)] quebrou o longo e surpreendente silêncio da Igreja sobre uma crise que a todos apavora, mas que ninguém quer afrontar.

Não li, por impossibilidade, a encíclica, mas, se os comentários, apreciações e resumos forem fidedignos, repete ideias e conceitos divulgados no Sc XIX (1881) sem resultados palpáveis, 118 anos depois.

A voz (palavra) da Igreja pode guiar os crentes, mas muitos dos poderosos opressores, apesar de afirmar a sua crença, ou não leram os textos, do Evangelho às encíclicas anteriores que versavam idêntica temática.

Reconhecer a insuficiência das religiões na consecução deste modelo de desenvolvimento atroz, cruel e desumano é exercício talvez doloroso, mas incontornável.

A globalização não cresce como «gangrena», «chaga», e «monstro», por inexistência de preceitos religiosos; a hipertrofia deste «monstro inumano» é negação de todas as doutrinas sociais, é a negação de todas as fés, é a condenação ao Inferno de todos os falsos crentes que escondem em ritos a voracidade, a ambição, a crueldade requintada e a aversão à Humanidade, cuja subsistência é ameaçada pela mesma globalização.

Pela importância a encíclica vai produzir uma infinidade de posições; é provável que volte ao tema, mas não bastam, neste panorama de caos, discursos; precisamos de soluções efectivas, precisamos de compromissos, (para cumprir) precisamos de receitas que invertam, enquanto é tempo, o grave contexto: corrupção, mentira, guerra, miséria e fome não se mitigam com retórica.

Os milhões de irmãos que morrem de fome são libelo acusatório suficiente para que sejam condenados às profundas do Inferno, sem indulgência, autores de discursos vagos... hipócritas... mentirosos...

Joaquim Manuel Cardoso

segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Venenos Piedosos

Poucos historiadores estudaram a influência tóxica da comunicação social, enquanto perigosa ferramenta do cruel poder económico, provavelmente a mais eficiente para alimentar: ilusões, alienações, vaidades, loucuras, mitos e, com especial ênfase medos. A apregoada ordem social funda-se em refinadas mentiras que, repetidas sem cessar, ganham, no colectivo desprevenido, desinformado, hipnotizado, a aparência de verdade de tal modo, que os oprimidos acabam a idolatrar os opressores.

A compreensão profunda dos esquemas intoxicantes utilizados, com constantes aperfeiçoamentos, pelos opressores com tão elevado sucesso que lhes permite imaginar «o fim da História», recusando aprender as lições desta, das passadas e futuras crises, se nada mudar, como desejam, ardentemente, os opressores.

A linguagem deve ser estrada para a verdade, embora possa incomodar; distinguir opressores e oprimidos é um passo para explicar que aqueles preferem prosseguir e agravar a crise, havendo quem cogite eliminar parte da população, crendo, com essa opção, poder devorar, até à saciedade, a riqueza.

Se essa opção murmurada, em segredo, para não agitar multidões, prosperasse, o que aconteceria? Quem seriam os primeiros a eleminar? A resposta é evidente: grupos mais desfavorecidos, pessoas com deficiência destacadas; a resistência frustrará essas opções monstruosas, mas o simples cálculo sobre a redução programada da população clarifica a infinita desumanidade dos opressores, desmistifica «discursos piedosos» e interpela guardiões da moral hipócrita, cujo silêncio é trememdamente inquietante.

Quando a crise emergiu, ouviram-se vozes patéticas recomendar a «refundação do capitalismo»; rapidamente se calaram; retornam as velhas receitas: «matar de fome» os trabalhadores e grupos desfavorecidos.

Nada, nada mudou! Para «fazer de conta» que a mudança aconteceria, esses «arautos piedosos» fizeram-se ouvir, porque havia que encontrar outro hipnótico e infinidade de mensageiros para o espalhar; seja qual fôr a evolução da crise, é preciso avisar toda a gente: enquanto crescer a opressão, resistir é urgente; não haverá fim de crise, enquanto as velhas receitas ameaçarem, não apenas o pão, mas, quem sabe, muitas vidas, ceifadas ao arbítrio dos opressores, e, talvez, encoberto por inéditas éticas, paliativo para consolar as vítimas da barbárie capitalista, removida a retórica, destruída a aparência piedosa.

Joaquim Manuel Cardoso